A verdade é a melhor conselheira, na parte que toca as crianças
A criança deve ficar a par da nova situação o mais cedo possível e sempre em conversa com o pai e a mãe, juntos, e nunca por intermédio de terceiros. Mesmo com crianças mais pequenas é importante verbalizar a situação, nem que seja através de uma história que ilustre de forma mais realista possível o que se vai passar. Chegada a altura da comunicação, a verdade é a melhor conselheira, desde que não seja pretexto para acentuar o sofrimento inevitável das crianças perante o anúncio do divórcio.
Há que ter sempre em atenção a capacidade de compreensão destas consoante a idade e não esquecer que a criança deve ser poupada a pormenores detalhados da separação que só contribuem para aumentar sentimentos negativos. Urge encontrar um equilíbrio entre a crueza de certas verdades e o esforço contraproducente de criar a ilusão de que nada vai mudar. Honestidade e serenidade são a pauta do discurso. Mesmo quando a relação do casal já comportava alguma agressividade, expressa periodicamente em momentos de discussões abertas, esta conversa dever ser calma e serena.
Explicado o porquê, os pais, por muito que lhes custe ver os filhos sofrer, devem abrir um espaço para que as crianças manifestem os seus sentimentos. É importante deixá-los chorar ou mesmo expressar de forma livre todas as emoções negativas que geralmente marcam a reacção do divórcio: raiva, insegurança, dor. É ainda aconselhável que o anúncio não assuma a forma de um comunicado unilateral. Se é verdade que os filhos não podem alterar a decisão tomada pelos pais, isto não implica que as crianças sejam votadas ao silêncio.
No caso dos filhos não reagirem verbalmente, numa altura em que um turbilhão se instalou nas suas cabeças, cabe aos pais perceberem se os devem deixar reflectir um pouco e organizar as ideias ou, pelo contrário, motivá-los a expor as suas dúvidas.
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